Palavra do Sérgio

SE no passado é uma ilusão, no presente é uma possibilidade e no futuro é um sonho sem idade.

17

de
novembro

Feriadão na Paulicéia

Feriadão na Paulicéia

Tropa de Elite na sexta-feira e Leões e Cordeiros na quinta, foram os filmes escolhidos por mim e a Valéria para pagar nossa dívida cultural com o cinema, no feriadão sem filhos. Até tentamos ir ao teatro para buscar uma forma de entretenimento menos comum, mais de carne e osso. Acontece que o teatro tinha os ingressos esgotados e o resultado foi que ninguém atendia nossos telefonemas para pedir informações, ou estava sempre ocupado. Então, fomos pessoalmente no local para comprar o desejado ingresso, mas fomos tratados com a indiferença dos seres humanos que desconhecem a importância do bom trato, que é sempre bem-vindo, mesmo com a casa cheia.
De volta á trilha cinematográfica, aparentemente mais preparada para esse negócio de informar, atender e vender, nos deparamos com a primeira coincidência, pois havíamos escolhido dois filmes aleatoriamente e ambos tinham a guerra como tema principal. Uma guerra é a dos americanos contra o terrorismo no oriente médio. A guerra do inimigo invisível, assim como no Vietnam, que mais parece um pretexto para vender mais armas e satisfazer a fome da industria armamentista americana, que parece não ter fim. Uma jornalista, magnificamente interpretada por Meryl Steep, idaga seu chefe: “você deve ter idade suficiente para se lembrar do The Who?”, então ela prossegue, lembra aquela música: Meet the new boss, the same as the old boss. Curiosamente essa música tem o título “We won´t get fooled again”. Muita ironia para quem, após o Vietnam achava que nunca mais seria enganado pelo patriotismo guerreiro contra o inimigo invisível e lá estavam eles novamente; vamos fazer a propaganda da guerra de forma convincente para reconquistar a confiança do povo americano. Justamente aquele povo que nunca mais seria enganado, pelo menos dito pelos ingleses do The Who.
Duas guerras, sendo que a outra, se trata do combate aos traficantes do morro, num emaranhado de confusões sem pé nem cabeça. Fica difícil saber quem é do bem e quem é do mal. No caso, o tráfico de drogas é a tipificação do demônio, dos matadores de criancinhas, do mal encarnado no poder das favelas que ocupou os vácuos do stablishment, do estado omisso. A polícia é retratada como nós sempre a vimos, lobo em pele de cordeiro ou será leões em pele de hiena?
Ambos os filmes tem um par de amigos que são idealistas, e lá como cá, há gente boa que acredita no sistema e se ferra em grande estilo. São heróis anônimos que morrem na guerra, deixando uma grande pergunta: Por quê?
A diferença entre as guerras é só uma questão de escala, os EUA numa tentativa de cuidar da democracia moderna ocidental, contra o fundamentalismo islâmico primitivo, em nome de um mundo democratico livre. Como livre, se a gente não pode ser o que quer? Temos que acreditar no fundamentalismo americano ou…?
Na escala local do Rio e Janeiro, a causa é outra: acabar com o trafico no morro e derrotar os policiais corruptos. Também há o inimigo invisível, que sempre muda de cara a cada nova eleição. O bem e o mal, os mocinhos e os bandidos estão falando inglês e português, mas diferentemente de John Wayne, que sempre ganhava, hoje o mal tem chances de vencer. Será a vida imitando a arte ou a arte imitando a vida? A verdade é cruel. Nossos pais fumavam e acreditavam no John Wayne.
Dor e esperança são sentimentos antagônicos, assim como alegria e morte. Mesmo que você odeie o morto assassinado, sempre é a sua própria morte que te acena dizendo: “cara vai chegar a sua vez! “
O debate acadêmico e a vida na faculdade estão presentes em ambos os filmes. Os jovens, lá como cá, tem uma posição apática sobre tudo e se preocupam somente com a diversão. A frivolidade do “enternainmtent” americano e o baseado paz e amor dos jovens cariocas dão espaço e alimentam a guerra.
No “ college”, o professor americano se aferra a sua missão de preparar um jovem talentoso para aproveitar ao máximo o seu potencial em favor da sociedade. Na faculdade carioca a missão parece ser entender o inexplicável, debater sobre a hipocrisia de uma sociedade que se esconde de seus problemas, sem atacá-los de frente, buscando culpados, demônios, sem objetivos e visão clara de uma causa pela qual lutar. Tudo fica no ar, com ressentimentos mal resolvidos.
Tudo que o estado precisa é de uma juventude apática, apagada e sem ideais. Nos anos 60 eles deram muito trabalho, para que? Para mudar o mundo, que realmente mudou, ou será que mudou na estética e preservou a essência. Os métodos do poder não mudaram.
A arte da política não mudou, os lobbies não mudaram, os lobbistas se fortaleceram e os senadores são estrategistas fugazes.
A arte imitando a vida. A vida se tornou mais intrigante que a arte, ou as duas se fundiram e se tornaram uma só? manifestações da energia, que cruelmente se ocupa de entreter nossas mentes em busca de algum significado para nossa existência, para nossas angústias.
O idealismo, cercado de inocência pura dos jovens em ambos filmes, nos dá esperança e depois nos atira no abismo da razão sem ação. O abismo mais profundo, de uma existência sem significado.

11

de
julho

Meu relógio parou

 

Meu relório parou

Desistiu para sempre de ser
Antimagnético
Vinte e dois rubis

Eu dei corda e pensei
Que o relógio iria viver
Pra dizer a hora
De você chegar

Não andou e eu chorei
Dois ponteiros parados a rir
São à prova d’água
Vinte e dois rubis

Que vantagem eu levei
Em ter um relógio
Que é suiço ou inglês
Sem andar

A que horas você vai chegar?

E no mar me atirei
Com o relógio nas mãos eu pensei
Ele é à prova d’água
Vinte dois rubis

7

de
julho

Não posso ficar

 

Não posso ficar

Nem mais um minuto com você,

Sinto muito amor, mas não pode ser

Moro não sei aonde

Mas se eu perder este trem que sai agora a qualquer hora

Só amanhã, ou depois de amanhã ou quem sabe em outra vida

Sou filho que desmamou

e não tenho mais que essa casa pra morar,

Mas não posso ficar.

2

de
julho

A Seleção e a Menina no Semáforo

É bom torcer, melhor é sofrer.

Quanta gente "inteligente" se aproveita da Seleção, da paixão cega do povo iludido. Precisamos do futebol pra deixarmos de lado o complexo de "vira-latas"? Há 48 anos foi o que disse Nelson Rodrigues: ao ganhar a Copa do Mundo de 1958, na Suécia, dos próprios suecos, após ter vencido os mesmos franceses de Just Fontaine. Os franceses acabaram de virar a lata em 2006. O caldo entornou e o povo brasileiro se queimou. Os jogadores com $ milhões em suas contas bancárias, estão desolados pela falta de objetividade da equipe, que por sua vez depende de um técnico vira-lata. Que Pena! A triste imagem de um País resumido ao futebol. Espelho, espelho meu, existe neste mundo alguém mais Penta que eu?

Um por todos e todos por um, é dos 3 mosqueteiros, que eram franceses. A vitória ou a guilhotina. Ganhar ou perder, é só isso.

Somos humanos e gritamos GOL, quando o fazemos a veia do pescoço pula pra fora e os olhos se arregalam. Só isso, um instante, uma emoção, um GOL, pra depois chorar pela MENINA no semáforo, toda de VERDE e AMARELO, com um futuro incerto. Dessa vez nem GOL gritamos, só choramos.

Daqui há 4 anos, tudo se repete, a emoção, a derrota, a vitória, a desilusão e a menina no semáforo cresceu, agora é quase mulher. Um projeto de ser alguma coisa. Quem sabe um GOL!

Perdeu a Seleção, ganhou a Nação?

1

de
julho

Ultrapassado e Vigente

Ultrapassado                                                             Vigente

Aos amigos tudo, aos inimigos a lei                    A justiça para todos

A esperteza                                                                A solidariedade

A desculpa                                                                 O trabalho

O ócio                                                                          A criação

Aceitar tudo                                                               Questionar

A moda                                                                        A livre expressão

EU                                                                                 NÓS

A Inocência                                                               A negociação

O otimismo                                                               A realidade

O sonho                                                                     O objetivo

1

de
julho

Onde está meu bote salva-vida?

A frase mais idiota que existe é: "a culpa é dos políticos". Ela é fruto de muita ignorância e comodismo que são os principais elementos da desgraça de uma sociedade. Essa desgraça é uma doença fatal que afasta um povo da idéia de dominar seu próprio destino. Então ele fica a deriva, navegando por águas turvas e dirigindo-se pra onde soprarem os ventos. Seja o que Deus quiser.

Na sua vida, o que você fez para mudar o seu destino e de sua sociedade? A resposta comun é: "eu luto pra sobreviver".  Portanto em vez estar a bordo de um grande navio, sua embarcação é um bote SALVA-VIDAS. Salve-se quem puder. O navio que afunde. FUDEU!

Tem aqueles que nem tem direito a bote salva-vidas, sobrevivem a nado mesmo, sujeitos aos tubarões e toda espécie de perigos que a água turva oferece. A vida não tem valor e todos os dias, milhares de almas se afundam nas águas, sem que ninguém perceba. São os pobres.

Todos os demais se agarram aos botes salva-vidas para chegar ao fim do dia e alguns tem lanchinhas motorizadas com alguma potência, noção de navegação e a a doce ilusão de poder. São os pobre de espírito. Ouvi dizer que até existe lancha blindada. Oh my god!

Duas opções:

1) união e consciêcia pra construir uma forte e potente embarcação para colocar o povo no seu rumo.

2) continuar no salve-se quem puder com destino ao triste naufrágio de uma nação.

 

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://sneg.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.